Se eu me lembrar quem fui e quem me tornei, eu diria, nunca diga nunca.
A medida que os defeitos vão diminuindo, nascem outros piores. As qualidades estacionam, outras desaparecem, algumas se transformam e muitas perecem.
Nas feridas nem penso para deixá-las cicatrizar, pois têm uma forte ligação com os futuros passos, com os defeitos que me surgem, com a falta de ênfase nas situações mais enfáticas da vida, se acostumando com a tristeza como se ela fosse a real maneira de se viver.
Será que foi tudo em vão? Talvez não, talvez eu seja, posso me definir por ser as marcas da minha vida, eu sou o que minhas dores me fazem ser. E sem elas eu não teria nenhuma virtude.
Eu sou reflexo da maldade humana, do egoísmo, da traição e falta de caráter.
Mas meu reflexo é toda compaixão que tenho dentro de mim. É tudo que me inquieta a alma, me aflige.
Sinto medo de perder a profundeza de meu ser
A cada atitude que se assemelha mais a padronização da humanidade, a cada vitoria materialista, a cada ambição eu me perco.
Quanto mais feliz e satisfeita com o que adquiro mais em perigo me sinto.
Quanto mais me envolvo com pessoas e o mundo, mais eu vou sumindo, mais longe de me encontrar, estou esgotada de superficialidade, estou perdida onde me encontrei, sinto medo de me ver seguindo com a multidão, perco minha identidade que eu ainda não encontrei todos seus pedaços.
Há aqueles dias em que eu me vejo um erro, mas que erro que não consigo me libertar?
As oscilações de pensamentos me desnorteiam.